Crônica de um ato

Encontrei uma amiga no ato pela educação. Como ela estava cansada, me prontifiquei a segurar seu cartaz.

Suplicy passa ao meu lado. Alguém tira uma foto. Lembrei de uma máxima de protesto ignorada por mim: “melhor ler um cartaz antes de segurá-lo”.

Li. Era sobre a Marielle. Lembrei de um artigo sobre compartilhamento de fake news: não é sobre verdade, é sobre confiança.

Fim.

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Morte em Veneza

Gustav Aschenbach era o poeta de todos aqueles que trabalham à beira da exaustão, dos que carregam um fardo superior a suas forças e, mesmo esgotados, se mantêm ainda de pé, de todos esses moralistas que têm por máxima o dever de produzir e que, de porte franzino e dispondo de meios precários, à custa de prodígios de vontade hábil organização, conseguem obter, ao menos por algum tempo, efeitos de grandeza. Há muitos deles: são heróis dessa época. E todos eles se reconheciam na sua obra; nela se encontravam justificados, poeticamente enaltecidos e, cheios de gratidão, difundiam seu nome.

 

(Thomas Mann)

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